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Musicoterapia

cantar e cantar e cantar...
cantar e cantar e cantar...

O ensino da música nas escolas

Bravo! Seja muito bem - vinda a Lei 11.769 que prevê a obrigatoriedade do ensino de música na educação básica sancionada pelo presidente Lula no dia 18/08/2008. Há muito se fala na necessidade do aprendizado musical nas escolas. Até a década de 60, mais precisamente, antes do golpe militar de 64 era comum aulas de canto orfeônico e educação musical nas escolas brasileiras. De lá para cá pouco ou quase nada foi feito pelos governantes para que os nossos jovens pudessem estudar e desenvolver tão importante habilidade artística. Sabemos que são inúmeros os benefícios da educação musical nas escolas: melhora a socialização, o desenvolvimento cognitivo, a coordenação motora, a sensibilização, a criatividade, auxilia no aprendizado de outras matérias, criando condições para que o jovem amplie o leque de escolhas futuras, incluindo o mesmo na sociedade de maneira pacifica e cidadã.
Na minha prática de Musicoterapia junto a crianças e adolescentes portadores de necessidades especiais observo que sendo a música uma linguagem universal, esta, abre um canal para que se estabeleça uma comunicação não-verbal proporcionando bem estar, integração e uma melhor interação com os seus colegas e familiares.
Sabemos o quanto o povo brasileiro é musical, o quanto a música mexe com os nossos sentidos, o quanto melhora a nossa percepção, a nossa relação com o mundo e com o outro. Impossível pensar o mundo sem música. A música enleva, enaltece os mais nobres sentimentos, contribuindo assim para uma sensível melhora do ser humano em todos os níveis.
Aqui na Bahia temos vários exemplos vitoriosos do ensino musical: o Olodum, o Ylê, os meninos do Candeal e tantos outros. Todos com um trabalho educacional maravilhoso e tendo como mola propulsora a música.
Acredito que a educação musical nas escolas irá mudar de forma sistemática a maneira de o jovem enfrentar os problemas cotidianos. Certamente a sua maneira de encarar a vida e o mundo será outra, diminuindo com isso efetivamente os índices de violência nas escolas. Não importa se o professor teve um estudo acadêmico ou não, e sim o grau de sensibilidade e comprometimento com a comunidade para desenvolver e proporcionar um aprendizado musical, não importa se o menino ou menina toque piano ou timbau, cante ou assovie, o importante será sempre o seu envolvimento com o universo musical que certamente lhe abrirá novas possibilidades e descobertas. O ensino musical nas escolas virá contribuir de forma inequívoca para um aperfeiçoamento e aprimoramento da educação no Brasil. Bravo! Bravíssimo!


O quê é a Musicoterapia?


O desenvolvimento tecnológico tem proporcionado avanços consideráveis nas diversas áreas do conhecimento. A velocidade com que as transformações se processam em todas as áreas, vem modificando a relação do homem com o seu tempo. Nos últimos cinqüenta anos, surgiram na área médico - cientifica equipamentos ultramodernos, com inúmeros recursos, que possibilitam maior precisão nos diagnósticos , tratamento e prevenção de várias doenças. Inúmeras pesquisas têm levado à descoberta de novos remédios, assim como, novas formas de tratar o doente e a doença.
A música, com o desenvolvimento dos meios de comunicação, invade o cotidiano das pessoas, está presente em toda parte e é usada intensivamente na propaganda, no cinema, nas novelas, nos teatros, nos elevadores, criando climas, sugerindo situações, vendendo produtos etc. Produzir e comercializar música tornou-se um negócio altamente rentável. Por outro lado, esses mesmos progressos tecnológicos, oferecem recursos que permitem o desenvolvimento mais apurado de pesquisas e estudos sobre a música e a sua influência sobre o ser humano.
Neste panorama, reaparece a Musicoterapia, depois de alguns estudos e malogradas tentativas de utilização da música com função terapêutica no século XIX. Nos EUA, após a Segunda Guerra Mundial, a Musicoterapia ressurge em hospitais para a recuperação de neuróticos de guerra. Também na Argentina durante uma epidemia de poliomielite que dizimou centenas de pessoas, os sobreviventes que apresentavam quadros depressivos profundos foram tratados com musicoterapia. Esses acontecimentos proporcionaram a criação dos primeiros cursos de formação de musicoterapeutas na Argentina e nos EUA (Kansas City, 1947).
Cabe aqui, ressaltar a grande contribuição para a Musicoterapia, do psiquiatra e musicoterapeuta argentino Dr. Rolando Benezon, pelo desenvolvimento do estudo do Princípio do ISO(Identidade Sonora), inicialmente estudado por Altshuler.

Dr. Benezon define a Musicoterapia como:

“A musicoterapia é o campo da medicina que estuda a complexo som-ser humano-som, para utilizar o movimento, o som e a música, com o objetivo de abrir canais de comunicação com o ser humano, para produzir efeitos terapêuticos, profiláticos e de reabilitação.”

Para a Comissão de Pratica Clínica da Federação Mundial de Musicoterapia Inc, em definição apresentada e aprovada no VIII Congresso Mundial de Musicoterapia (Hamburgo, Julho de 1996):

“Musicoterapia é a utilização da música e/ou seus elementos (som, ritmo, melodia, harmonia) por um musicoterapeuta qualificado, com um cliente ou grupo, num processo para facilitar e promover a comunicação, relação, aprendizagem, mobilização, expressão, organização e outros objetivos relevantes, no sentido de alcançar necessidades físicas, emocionais, mentais, sociais e cognitivas.”

A musicoterapia objetiva desenvolver potenciais e/ou restabelecer funções do indivíduo para que ele/ela possa alcançar uma melhor integração intra e/ou interpessoal e, consequentemente, uma melhor qualidade de vida, pela prevenção, reabilitação ou tratamento. (Revista Brasileira de Musicoterapia, Ano I, nº. 2, 1996, pág.4).

Eduardo Calazans